InícioEmpreendedorismo FitnessAcademia no interior: como crescer com lucratividade e retenção

Academia no interior: como crescer com lucratividade e retenção

Infográfico com cinco pilares para crescer uma academia no interior: validar, lucrar, comunicar, reter e estruturar.

Sim, uma academia no interior pode crescer — inclusive em rede — quando o gestor para de olhar apenas para volume e começa a construir um modelo replicável, lucrativo e centrado na retenção.

No episódio do podcast do Douglas Waltricke, Dinho Mendes e Alex Said, fundadores da rede de academias Hiper Prime, a conversa mostra que o crescimento em cidades menores não depende apenas de preço baixo, tráfego pago ou equipamentos novos. A expansão nasce de validação, processos, atendimento, cultura, gestão financeira e clareza sobre o público que ainda não treina.

Resumo executivo

  • A Hiper Prime validou o modelo antes de acelerar: de 2018 a 2023, o foco foi entender números, processos e replicabilidade.
  • A rede chegou a 16 unidades em cerca de um ano e meio de expansão mais intensa, com unidades próprias e franqueadas.
  • O foco declarado não é ser a maior rede, mas uma das mais rentáveis, com meta de lucro de 30% a 45% nas unidades abertas.
  • Em cidades menores, estrutura física, atendimento humanizado e comunicação local ajudam a atrair pessoas que ainda não treinavam.
  • A retenção é tratada como prioridade: frequência, experiência, planos anuais e clube de vantagens entram na estratégia.
  • Para franquear, a marca estruturou backoffice com financeiro, RH, DP, marketing, suporte jurídico e processos para apoiar franqueados.
  • Na visão dos convidados, sociedade exige alinhamento de propósito, papéis claros, conversas difíceis e foco na saúde da empresa.

Por que academia no interior pode crescer

Um dos pontos centrais da conversa é a quebra da crença de que cidades do interior não comportam academias grandes ou redes fitness. A Hiper Prime nasceu com essa aposta: levar para cidades menores uma estrutura que, segundo Alex, ainda era mais comum em capitais e grandes centros.

A primeira unidade no interior foi montada em Lins-SP, depois de uma trajetória anterior no Grande ABC. O período inicial serviu para validar o modelo. A confiança veio quando uma segunda unidade, na mesma cidade pequena, também mostrou que o negócio era replicável e rentável.

Esse é um aprendizado importante para gestores: expansão não deve ser confundida com pressa. Antes de abrir várias unidades ou franquear, é preciso saber se o modelo funciona fora da primeira academia.

Validação antes da expansão: o que observar

Durante a conversa, Douglas destaca a importância de respeitar o processo: de 2018 a 2023 houve validação; depois vieram as aberturas em ritmo mais acelerado. A Hiper Prime passou a falar em 16 unidades ao todo, sendo nove próprias e as demais franqueadas, em um ciclo de expansão de cerca de um ano e meio.

Para quem administra uma academia, a pergunta prática é: o que precisa estar claro antes de abrir a próxima unidade?

  • Replicabilidade: o resultado depende apenas da presença do fundador ou o processo consegue funcionar em outra unidade?
  • Rentabilidade: a unidade cresce com margem ou apenas com volume de alunos?
  • Operação: existe padrão de atendimento, vendas, contratação e acompanhamento?
  • Backoffice: financeiro, contabilidade, RH, DP e marketing estão organizados?
  • Retenção: o aluno permanece ou a academia vive em um “cano”, com muita entrada e muita saída?

Lucratividade vem antes da vaidade

Os convidados insistem em um ponto: a empresa precisa ser lucrativa. Para Dinho, se a academia não tiver lucro, não há crescimento sustentável, emprego nem expansão de marca.

Essa visão aparece em várias decisões. A rede não quer crescer de forma desesperada. A meta citada é ter pelo menos 30% a 45% de lucro em cada unidade já aberta. O volume é bem-vindo, mas não substitui margem.

Também há uma crítica a estratégias que aumentam despesa sem fechar a conta. Quando uma academia entra em disputa salarial ou faz promessas sem lastro financeiro, pode comprometer a margem e criar passivos difíceis de sustentar.

O interior exige leitura local de marketing

O marketing de uma academia no interior não deve copiar automaticamente o marketing de uma capital. Na conversa, os convidados citam canais que ainda funcionam bem em cidades menores, como carro de som, rádio local, outdoor e revista da cidade.

Isso não significa abandonar o digital. Significa entender que cada praça tem seu jeito de comunicação. Em cidades menores, o boca a boca, a reputação e a experiência de quem já treina podem pesar tanto quanto uma campanha online.

Por isso, uma pergunta apareceu com força: se 1.200 ou 1.500 pessoas passam todos os dias pelas unidades, o que esses clientes estão falando da academia?

Atendimento humanizado para quem ainda não treina

Um dado citado pelos convidados chama atenção: em algumas cidades, cerca de 60% das matrículas vêm de pessoas que não treinavam. Ou seja, o principal concorrente não é necessariamente outra academia. Em tom de brincadeira, eles dizem que o maior rival é a Netflix.

Esse público não quer se sentir deslocado. Muitas pessoas entram inseguras, especialmente quem nunca treinou, ficou anos parado ou pertence à melhor idade. Por isso, a Hiper Prime evita uma comunicação estereotipada, focada apenas em corpos atléticos, e trabalha a ideia de uma academia onde a pessoa começa e continua.

Estrutura física ajuda a atrair: ambiente bonito, ar-condicionado, iluminação, equipamentos novos e sensação de cuidado. Mas, segundo os convidados, o que faz a pessoa ficar é o atendimento.

Retenção: frequência, planos anuais e clube de vantagens

A conversa reforça que retenção custa menos do que repor alunos o tempo todo. Douglas cita a ideia de que reter pode ser muito mais barato do que trazer novos clientes, e a discussão avança para frequência e renovação.

Foram mencionados dois números importantes para gestores acompanharem:

  • Clientes que usam recursos de gamificação tiveram 36% mais frequência no estudo citado por Douglas.
  • Quando o aluno vem menos de uma vez por semana em média no mês, a chance de não renovar chega a 80%; quando vem três vezes por semana, a chance de não renovar cai para 20%.

Na prática, o gestor não deve olhar frequência apenas como dado operacional. Frequência é sinal de relacionamento, percepção de valor e chance de renovação.

A Hiper Prime também trabalha com planos anuais e está estruturando clube de vantagens, sistema de indicação, pontuação, brindes e experiências para aumentar o vínculo do aluno com a marca.

Backoffice: o que uma franquia precisa entregar de verdade

Outro ponto forte do episódio é a diferença entre vender uma marca e entregar prestação de serviço ao franqueado. Segundo os convidados, uma dor comum é o franqueado comprar uma franquia esperando suporte, mas receber apenas o direito de usar uma marca.

Por isso, a Hiper Prime estruturou uma matriz com apoio em áreas como:

  • financeiro;
  • contabilidade e orientação tributária;
  • recrutamento e seleção;
  • departamento pessoal;
  • marketing;
  • jurídico e suporte estratégico.

Um exemplo citado mostra o impacto de detalhes administrativos: ao analisar uma unidade, os convidados identificaram que o negócio não tinha necessariamente um problema de operação, mas estava no regime tributário errado, jogando de R$ 30 mil a R$ 40 mil por mês no ralo.

Para o gestor de academia, a lição é direta: lucratividade não depende apenas de vender mais. Muitas vezes, ela depende de corrigir estrutura, processo, imposto, contrato, contratação e acompanhamento financeiro.

Gestão de pessoas: cultura, consciência e remuneração

A expansão exigiu contratação e retenção de colaboradores no interior. Dinho e Alex destacam que o colaborador precisa entender o propósito da empresa e o próprio propósito dentro dela.

O padrão de atendimento não é tratado como frase bonita. Ele precisa virar consciência: atender o aluno como alguém da própria família, entender que muitas pessoas treinam por saúde e necessidade, e não apenas por estética.

Ao mesmo tempo, a conversa é realista: ninguém trabalha de graça. Os convidados mencionam remuneração por hora para profissionais, bonificação para a equipe comercial e premiação para quem entrega resultado. Cultura e dinheiro não aparecem como opostos; os dois precisam estar alinhados.

Concorrência: transformar ameaça em aprendizado

Alex conta que, no ABC, tinha uma academia de bairro com cerca de 380 alunos e ticket de R$ 80 a R$ 90. Quando uma Smart Fit abriu a menos de 1 km cobrando R$ 49, ele perdeu mais da metade dos clientes e caiu para cerca de 200 alunos.

A saída poderia ter sido desistir ou culpar o mercado. Em vez disso, ele buscou estudar gestão, vendas e estratégia. Em menos de 12 meses, afirma ter levado a unidade para 1.000 alunos, mesmo com estrutura antiga, cerca de 300 m² e concorrência forte.

O aprendizado para gestores é claro: concorrência pode expor fragilidades, mas também pode acelerar amadurecimento. A diferença está em como o empreendedor reage.

Sociedade: escolher bem antes de crescer

Na parte final, a conversa entra em sociedade. Dinho resume que ninguém cresce sozinho, mas uma sociedade só acelera o negócio quando há alinhamento.

Os principais cuidados citados foram:

  • Alinhar propósito: o objetivo não pode ser apenas o resultado final; o processo precisa fazer sentido para todos.
  • Definir papéis: cada sócio precisa saber o que entrega e pelo que será cobrado.
  • Separar empresa e vida pessoal: problemas particulares não podem definir a saúde financeira da operação.
  • Ter conversas difíceis: discordar faz parte do crescimento quando todos querem melhorar a empresa.
  • Planejar o que pode dar errado: antes de assumir aluguel, financiamento ou expansão, é preciso entender o passivo e o plano de ação.

Um ponto forte é a defesa da discordância saudável. A sociedade madura não é aquela em que todos concordam sempre, mas aquela em que os sócios conseguem divergir, decidir e seguir juntos.

Ações práticas para gestores de academias no interior

  1. Valide antes de expandir: abra novas unidades apenas quando o modelo mostrar replicabilidade e margem.
  2. Não confunda volume com sucesso: acompanhe lucro, custos, passivos e capacidade real de sustentação.
  3. Adapte o marketing à cidade: combine digital com canais locais quando fizer sentido para o público.
  4. Fale com quem ainda não treina: evite uma comunicação que afaste iniciantes, idosos ou pessoas inseguras.
  5. Treine o time para acolher: atendimento humanizado precisa virar padrão, não exceção.
  6. Meça frequência: use esse indicador como alerta de retenção e renovação.
  7. Fortaleça o backoffice: financeiro, RH, DP, contabilidade e marketing impactam diretamente a lucratividade.
  8. Escolha sócios com critério: alinhe propósito, papéis, riscos e capacidade de conversas difíceis.

Conclusão

Crescer uma academia no interior é possível, mas não acontece por improviso. A história da Hiper Prime mostra que expansão sustentável nasce de validação, processos, gestão de pessoas, leitura local de mercado e foco em retenção.

Para o gestor fitness, a principal virada é abandonar métricas de vaidade e olhar para a saúde real da empresa. Se a unidade entrega boa experiência, retém alunos, forma time, controla custos e mantém margem, o crescimento deixa de ser aposta e passa a ser consequência.

Perguntas frequentes

Academia no interior consegue crescer em rede?

Sim. O episódio mostra o caso da Hiperprime, que validou o modelo em cidades menores antes de acelerar a expansão e chegar a 16 unidades ao todo.

Qual é o principal cuidado antes de expandir uma academia?

O principal cuidado é validar se o modelo é replicável e lucrativo. Crescer apenas em número de unidades, sem margem e sem processos, pode comprometer a operação.

Marketing offline ainda funciona para academia no interior?

Segundo os convidados, sim. Em cidades menores, canais como carro de som, rádio local, outdoor e revista da cidade ainda podem funcionar, dependendo da praça.

Como atrair pessoas que ainda não treinam?

A conversa destaca estrutura agradável, atendimento humanizado e comunicação sem estereótipos. O objetivo é fazer a pessoa se sentir acolhida para começar e continuar.

Por que retenção é tão importante para academias?

Porque manter o aluno ativo reduz a dependência de novas vendas. A frequência foi tratada como indicador-chave de renovação e permanência.

Artigos relacionados
- Advertisement -spot_img

Em destaque